Existe? Eis uma discussão que rende horas, décadas, cervejas, lembranças e muitas, mas muitas anotações. O que faz uma música ser considerada perfeita? A melodia, o ritmo, a letra, o momento? Nada disso. Uma canção, seja lá qual for, depende de uma única ação para ser eternizada: emocionar.
Pare agora e ouça John Lennon e Vinicius de Moraes. Esses dois gênios - guardadas as devidas proporções - se assemelham numa característica assumida pelos próprios: são péssimos cantores. Péssimos, vozes horríveis se comparadas à de vencedores do American Idol ou cantores de Boy Bands.
Mas eles emocionam. Eram mestres, tinha feeling, capacidade. Shakespeare fazia isso. Ele tocava o coração das pessoas. Pois Lennon e Vinicius eram discípulos do dramaturgo inglês. Com paixão, sensibilidade e um descomunal conhecimento da mente humana eles criaram temas de choros, sorrisos e arrepios.
Desconsidere uma ópera de 30 minutos escolhida por críticos americanos como a música perfeita. Ela terá, provavelmente, esse título graças sua partitura inovadora e perfeita harmonia entre os instrumentos. A música perfeita é que te faz lembrar-se do primeiro beijo, de um passeio na praia, de um dia inesquecível, ou apenas que te faça feliz.
Existem músicas assim, que somem com todos os problemas da vida por quatro minutos. Músicas que você sente ciúmes quando toca no rádio. Músicas que você manda pra uma guria quando quer conquista-lá. Músicas que você ouve num sábado à noite, sozinho, curtindo uma solidão que parece aceitável com aquela trilha.
A música perfeita nada mais é que o resultado de todos os sentimentos reunidos – sejam eles bons ou ruins - numa só atmosfera.
Tenho uma ligação forte com Wish You Were Here. Essa música me traz excelentes lembranças, principalmente o ano que passei em Laguna (SC) ouvindo uma fita do Dark Side Of The Moon num rádio cinza na garagem de casa com meu pai.
Mas eu tenho curiosidade em saber qual é a sua música perfeita. Para dar um incentivo, vou presentear o leitor com o livro Almanaque do Rock (Ed. Ediouro, 2008. São 304 páginas com absolutamente tudo sobre rock and roll por Kid Vinil.
Coisa simples. Deixe um comentário logo abaixo dizendo qual é a sua música perfeita e por que.
Buena sorte.
¹ Recebi hoje pelos correios uma caixa recheada de brindes da grife Spirito Santo. Cartões, adesivos, pôsteres e um belíssimo par de tênis numa embalagem bastante moderna e criativa.
Ao pessoal do marketing da Spirito Santo, meu muito obrigado. E parabéns pela perspicácia e ousadia.
O que era privilegio do Terça Insana virou mania. Peças e grupos de comédia surgem na mesma velocidade que um vídeo no Youtube se espalha pela blogosfera. Aliadas à essa indispensável ferramenta, as peças de humor estão na moda. E cada vez mais disputadas.
Podemos considerar, sim, o Terça Insana como grande precursor desse estilo no século XVI. Sempre mantendo a linha “povo brasileiro, com seus tipos populares e seus costumes”, o Terça Insana reúne várias esquetes que, a cada mês, mudam conforme uma temática diferente. A criação de Grace Gianoukas ganhou notoriedade e na mídia e foi convidada para um quadro fico no Zorra Total (Seu Banana).
Além disso, O Terça Insana lançou aquele que, antes considerado uma das grandes revelações do humor brasileiro, já é uma realidade: Marco Luque. Foi no papel do taxista Silas Simplesmente e da empregada Mary Help que Luque, fundador da Cia. De Ícones, chamou a atenção de Marcelo Tas e conquistou uma vaga de apresentador do CQC.
Em 2003 o Terça Insana foi o primeiro grupo do formato a lançar um espetáculo em DVD. Era o que faltava para sua popularidade ficar ainda maior, pois logo esquetes inteiras foram parar no Youtube. Essa atitude dos fãs contribuiu para que o Terça Insana conquistasse fama nacional.
Mas, se tratando de Internet, ninguém supera a Companhia de Comédia Os Melhores do Mundo. O famigerado vídeo do Joseph Klimber foi um dos maiores sucessos da história do Youtube. Por muito tempo, Joseph esteve entre os 30 vídeos mais vistos de todos daquele site. E desse vídeo eu entendo.
Segundo os atores Ricardo Pipo e Welder Rodrigues – o narrador e Joseph Klimber, respectivamente – a primeira amostra do sucesso da esquete eles viram durante uma apresentação em Goiânia (GO). “Quando subi ao palco e disse ‘pois existem pessoas’ o público foi à loucura”, confessou Pipo.
É consenso entre os integrantes do Os Melhores do Mundo que a história do grupo é dividida entre antes e depois aquele vídeo. Tal situação foi repetida no ano seguinte com Hermanoteu na Terra de Godah. Um trecho da peça publicado no Youtube fez com que empresários e patrocinadores esquecessem um pouco Joseph Klimber e questionassem o grupo sobre essa peça.
É, de longe, o melhor grupo de humor do Brasil.
Quem também teve a astúcia para tirar proveito desse veículo foi a galera do stand-up comedy. Assim como os MM, graças à uma apresentação no Programa do Jô, Diogo Portugal virou uma estrela da Internet. O humorista é um dos nomes mais procurados do Youtube. Com agenda lotada, Diogo acabou de chegar de uma turnê no Japão e já tem programado shows na Alemanha ainda este ano.
Hoje, a grande coqueluche do teatro de humor brasileiro é a técnica de improviso. Brotam dezenas de grupos por mês, uns excelentes, outros nem tanto. A lógica prevalece nesse sentido, humoristas mais experientes protagonizam as melhores companhias: Improvável e Z.É. Zenas Improvisadas.
O Z.É conta com Fernando Caruso, Marcelo Adnet, Rafael Queiroga e Gregório Duvivier. Já o Improvável é cria de Rafinha Bastos, Anderson Bizzocchi, Elidio Santana e Daniel Santana, esses três integrantes da Companhia Barbixas. Os espetáculos mantêm o estilo Whose Line Is It Anyway, com games disputados a partir de sugestões da platéia.
Cada apresentação conta com um convidado diferente. Não há um scritp de diálogos, apenas uma pré-roteiro com a seqüencia dos games que serão disputados. O espetáculo se resume num show de improvisação de seus atores e também do público.
Abaixo, trecho do “Jogo do Troca” na peça dos Improváveis.
O grande trunfo dessa moda é ver como o público está descobrindo o teatro. Algo historicamente tratado como chato e de elite tornou-se um programa agradável e relativamente próximo das classes mais humildes. É uma cultura nova que vem sendo adquirida por quem tinha medo ou simplesmente vergonha de admitir que assistiria uma peça.
E a qualidade desses humoristas é notória. Claro que tem muita gente ruim, mas, como em qualquer área, os melhores se destacam. É bom ver o brasileiro se interessando por esse tipo de cultura e entretenimento. É um avanço intelectual ainda pequeno, mas agradável.
Estava sem trabalho hoje pela manhã. Tentei assistir um desenho animado. Não deu. Comecei achando a história meio confusa, não entendia bem as piadas e senti um leve desconforto mental com as milhares de cores por segundo. Entre um café frio e um pão de queijo de ontem, deu-se partida na sala a uma discussão que renderia pauta na próxima reunião em Andorra: “o que aconteceu com os desenhos animados?”
Somos de uma geração que teve manhãs repletas de Caverna do Dragão, O Fantástico Mundo de Bobby, Doug, Muppets Baby, Thundercats, Jetsons e Jonny Quest. Qual a semelhança entre todos esses desenhos? Ele não eram interessantes apenas para as crianças, mas para os pais também. Era um entretenimento puro e de qualidade que prendia qualquer espectador. Bem diferente do lixo atual.
Porém (ah, o porém), existe uma luz no fim do túnel. E que luz, diga-se de passagem.
The Family Guy (Uma Família da Pesada) é a melhor desenho animado dos últimos anos. Perdoem-me os fãs e seguidores do maravilhoso Simpsons, mas The Family Guy superou os amarelos há um bom tempo. A cada episódio é possível notar o nível intelectual invejável que esse desenho alcança. Pois reúna o nonsense do humor britânico com o sarcasmo do humor americano. Você terá a essência de The Family Guy.
O grande barato desse desenho, além do já conhecido e hilário excesso de flashback, é o alto poder de referências culturais. Desde um disco dos Beatles até as Verdades Indubitáveis sobre Chuck Norris, de um clipe do A-ha até uma cena de Cidadão Kane, tudo se encontra num comentários não somente engraçado, mas que te faz suspirar um “putz, porque eu não pensei nisso antes…”.
Outra grande característica de The Family Guy é a forte presença de humor negro em suas piadas. Exato, não é o desenho mais indicado para pessoas sensiveis. Piadas racistas, homofóbicas e de cunho sexual têm presença garantida nos episódio. Mas não pense que é algo claro, como um soco no estômago. São tiradas frias, curtas, que obrigam o espectados a ter o mínimo de raciocínio para compreender.
Exemplos não faltam. Como a vez que Peter foi comprar drogas. Ao ser questionado por sua esposa Lois, Peter ponderou:
- Comprei lá nos pretos. Sim, na loja de carros pretos. Haviam uns traficantes brancos nos fundos.
Ou então quando Peter, sempre ele, ao criticar a contribuição de alguém, disse: “isso é tão inútil quanto aquela vez que Michael J. Fox fez o Zorro para a Disney”. No flashback, surgem dois mexicanos assustados que dizem:
- Meu Deus! Quem fez isso?
- Não sei. Mas, olhe. Ele deixou uma marca na parede.
A imagem mostra uma parede cheia de riscos sem qualquer significado. Lembrando que Michael J. Fox sofre do mal de Parkinson.
O jovem da foto acima participando do American Idol é Stewie Griffin. Sem dúvida um dos pontos altos do programa. Mercenário, vingativo e dono de uma incontrolável vontade de matar a própria mãe, Stewie é capaz de atos louváveis, como viajar até Hollywood somente para dar um soco em Will Ferrell. Contudo, ainda é uma criança e não consegue ficar distante do leite materno e dos programas infantis que passam na TV.
Seu grande amigo é o cachorro Brian. Numa evidente crítica à futilidade da família americana, o cão é o ser mais inteligente e sensato de todos no programa. Brian não se trata de um animal comum, ele fala, fuma, bebe, lê jornal e reclama da TV a cabo como qualquer pessoa. Uma de suas grandes frases é: “se não fosse a televisão os americanos teriam que aprender a ler.”
Chris, apesar de sua figura bastante imponente, é tímido, burro e muito inocente. Com 13 anos, o jovem não tem muitos amigos. Trabalha como entregador de jornais no próprio bairro onde vive. Dentro do armário do quarto, segundo Chris, vive um macaco malvado que o ameaça com frequencia. Momento marcante: quando foi invejado pelo pai por ter um pênis maior e quando cantou Crazy For You da Madonna no Karaoke.
Meg é a irmã de Chris. Ela tem 16 anos e não leva uma vida das mais fáceis. Vive sendo ignorada em casa e na escola. Como qualquer adolescente, Meg é constantemente embaraçada pela própria família, como num episódio em que Peter entra na sua sala de aula e reclama por ela ter feito a depilação no chuveiro, que, segundo ele, agora parecia um tapete. Dizem os roteiristas que no futuro Meg será um transsexual chamado Ron.
A dona da casa atende pelo nome de Lois. É uma mulher moderna que consegue arranjar tempo para cozinhar, cuidar da família, dar aulas de piano e escapar às sucessivas tentativas contra a sua vida por parte de Stewie. Lois é a voz da razão para Peter, que apenas lhe dá ouvidos quando já está metido em apuros. Já teve um caso com Bill Clinton.
Finalmente, Peter. Observe: Peter é americano com ascendências irlandesas e descendente de um escravo afro-americano que pertenceu aos antepassados de Lois. É um pai adorável, mas diz tudo o que pensa nas piores horas. No entanto, Peter faz tudo pela sua família, desde que isso não envolva estar afastado da televisão. É fã do Kiss, do Peter Frampton e amigo da Morte. Também teve um caso com Bill Clinton. [+]
As comparações com Simpsons são inevitáveis. Aliás, já rolaram até algumas provocações. O Homer acusou The Family Guy de plágio durante um espisódio. Stewie não deixou para trás. Numa sátira da abertura de O Fantástico Mundo de Bobby, o bebê deu várias voltas com o triciclo até chegar na cena inicial de Simpsons, onde Homer sai do carro e corre até a entrada da casa. Na versão de The Family Guy, o personagem de Springfield deu com a cara na porta.
Considero hoje The Family Guy melhor que Simpsons. O formato criado por Matt Groening é perfeito e cativante, mas Seth MacFarlane nos deu uma opção nova e de qualidade. The Family Guy supera Simpsons na maneira pop e saudosista como o roteiro é desenhado. Além disso, a trilha sonora impecável e a variedade de temas abordados são de uma atualidade que não cabe ao Simpsons.
Tanto é que Stewie e Brian foram convidados, vejam vocês, para abrirem o Emmy Awards de 2007.
E não fizeram feio.
The Family Guy é exibido na FX todos os domingo às 21h.
¹ Meu caro Ivo Neuman disse muito e provou, mais uma vez, que é o melhor texto da blogosfera.
² A Ester Beatriz disse que eu sou uma “versão ocidental do Inagaki.” Achei um tremendo exagero, mas meu ego agradece. No mais, afirmo: o layout pelo menos é melhor que o do japaguaio.
³ Obrigado a todos que me indicaram para o BlogDay2008. E saudações ao Tio Punk.
Michael Jackson completa hoje 50 anos. E, convenhamos. Não era desse modo decadente e horripilante que gostariamos de ver o dono de uma das maiores carreiras da história do entretenimento comemorar seu o cinquentenário.
O segundo mais jovem da família Jackson construiu não só um legado, mas um império de clássicos, referências e significados para o termo pop. Aliás, ninguém foi mais pop que Michael Jackson. Ninguém cantou, dançou, emocionou e chocou mais que Michael Jackson. Ninguém em 15 anos foi mais artista que Michael Jackson.
Repito: Elvis Presley, John Lennon e Michael Jackson. Na ordem. Ninguém supera.
Uma das grades contribuições de Michael Jackson para a música é a revolução no videoclipe. Vídeos de 14 minutos, contrato com grandes diretores de cinema , abuso de computação gráfica e enredo altamente subversivo promoveu o que era pop para hoje ser considerado cult.
Listar apenas cinco melhores clipes de Michael Jackson não é a tarefa das mais simples. Mas necessária.
Single do épico álbum Off The Wall, esse clipe tem como grande característica a gravação no chroma key. Dirigido por Nick Saxton, Don’t Stop ‘Til You Get Enough marca o início do uso do smoking de Michael nos vídeos.
Com a assinatura de Martin Scorsese, Bad era o primeiro clipe de Michael após o fenômeno Thriller. O público respondeu bem e fez de Bad um grande sucesso. O álbum vendeu 36 milhões de cópias em todo o mundo e permaneceu durante algum tempo como o segundo mais vendido da história.
Mais uma grande sucesso do álbum Off The Wall. O vídeo tem um ar futurista, com lasers e muita fumaça. Mesmo gravado em estúdio e sem grande investimento, tornou-se um dos clipes mais celebrados do rei do pop.
Para muitos é o melhor vídeo de Michael Jackson. O impacto que Billie Jean teve na música é imensurável. Os direitos do clipe foram, durante anos, motivos de briga entre a MTV e a CBS. Segundo um amigo meu, é clipe mais exibido pela MTV.
Michael Jackson e sua equipe viraram história ao inovar com Thriller. O diretor John Landis estabeleceu novos horizontes para a concepção dos clipes. O vídeo tem 14 minutos de duração e foi gravado em película ao custo de 600 mil dólares, número elevado para os padrões da época.
Não tratem este homem como uma pessoa normal. Michael Jackson não é deste planeta.
O excelentíssimo Pedro Biso Haznos me procurou esta semana. Afoito, disse ter em mãos um novo/provável mistério da Internet. Pois tratava-se de um vídeo, no mínimo, curioso. As imagens mostram um rapaz se contorcendo no alto da Ponte Estaiada, o mais novo cartão postal de São Paulo.
(Clique aquie veja as cenas em high quality clicando na opção logo abaixo o número de acessos).
O grande barato disso (ou não) é que vários aproveitadores surgiram. Um exemplo é o bobagentoRaphael Mendes. Aquele senhor teve a pachorra de se esconder atrás da própria mentira. Assim, enganou, inclusive, o Pedro e o cover do Macgyver (Edu Hoffmann).
Seguindo meu ideal repleto de boas intenções, resolvi expor algo mais valioso que o significado do universo, a solução para a paz na palestina e a pergunta para a resposta 42.
Eis.
Uma fonte fidedigna de felpuda afirmou que estas novidades vão se extender até você, leitor. Logo, fique atento e confira outras informações tão pertinentes quanto estas aqui.
¹ Esse foi obviamente um Publieditorial. Mas que era eu, ah, era!
² Créditos - Fotografia: Rafael Carvalho. Assistentes de palco: Renata Mendes e Kátia Pacheco.
³ Adicionei uma irritante “caixa de confirmação” nos comentários. O motivo foi uma impiedosa invasão de spams. Obrigado pela paciência.
Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 22 anos e um poço de sinceridade.